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“É o marketing, estúpido!”

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Indíce

Oppenheimer não é apenas um notável objeto de cinema. É também um espetacular acontecimento de mercado capaz de desafiar as rotinas de um marketing apenas orientado para a promoção de super-heróis e afins.

A pensar na grandeza do IMAX.

Christopher Nolan na rodagem de Oppenheimer

O problema do Marketing

Subitamente, o mundo do cinema de Hollywood sente-se abalado naquela que seria a sua conjuntura ideal:

Porém, a estação de todos os sucessos, incluindo o proverbial blockbuster com selo da Marvel ou da DC Comics surge agora assombrada pela dúvida mais ancestral da indústria e do comércio dos filmes. Como levar o cidadão comum a tomar a decisão de comprar um bilhete e assistir a um determinado filme numa sala escura?

Há dados que esbatem um pouco a angústia que circula. Assim, é um facto que a ubiquidade das plataformas de streaming alterou todas as componentes do negócio cinematográfico. Além de, como bem sabemos, a pandemia ter dinamitado os hábitos de consumo do cinema.

Em qualquer caso, mesmo correndo o risco de simplificar o labiríntico mapa internacional da distribuição e exibição dos filmes, talvez valha a pena reconhecer um dado que, neste panorama, está longe de ser secundário. Os métodos e valores dominantes do marketing cinematográfico não sabem o que fazer face a filmes com a ambição temática e o fulgor espetacular de Oppenheimer.

No entanto, não estamos a falar de futebol, pelo que convém não nos imaginarmos no centro do mundo – este não é um problema banalmente português. Como os bonequinhos de água da nova produção da Pixar, Elemental, observamos agora, impotentes, o fogo posto por uma estratégia de produção/difusão, nascida na indústria dos EUA, que já não sabe como controlar a devastação que provocou ao longo, pelo menos, das últimas duas décadas. O facto de o fogo ser uma componente trágica da história de J. Robert Oppenheimer não passa de uma coincidência bizarra que, perversamente, intensifica a perturbação de tudo isto.

O desespero do Christopher Nolan

Porém, no seu desespero criativo, o marketing americano está mesmo a tentar rentabilizar na ribalta mediática uma palavra – “Barbenheimer“. No entanto, para classificar a concorrência, que se deseja produtiva. O Oppenheimer e a nova produção/interpretação de Margot Robbie, Barbie, inspirado na boneca da Mattel. São dois filmes lançados no mesmo dia (hoje), cujas diferenças de matéria e tom são, à partida, evidentes.

Semelhante sugestão serve de sintoma de uma dramática falta de ideias para, comercialmente, tratar os filmes como entidades especificamente cinematográficas, não como produtos que, à semelhança dos detergentes, discutem entre si quem “lava mais branco“. Claro que as atribulações do marketing não esgotam a problemática contemporânea dos mercados de cinema, mas talvez fosse útil começar por responder a uma interrogação muito cândida:

  • Como é que os agentes agências de marketing analisam os filmes que promovem? E ainda: que ideias têm sobre a diversidade dos espectadores?

Contudo, não esquecendo as honrosas exceções, o marketing reconverteu-se na promoção de super-heróis. Criando uma nova geração que gasta as suas energias a organizar alianças com marcas de telemóveis ou piedosas influencers, para não falarmos das ante-estreias com “famosos” a posar para fotografias de infinita tristeza iconográfica. Menospreza-se o simples facto de ser necessário – vital de um ponto de vista económico – vender os filmes como… objetos de cinema. O senhor de La Palice não diria melhor, porventura acrescentando que Oppenheimer é essa “coisa” maravilhosa que o marketing tende a ignorar:

  • Um filme concebido por um pensamento adulto, sério, empenhado e, sobretudo, apaixonado pela mais nobre vocação narrativa do cinema.

Opinião do Steven Spielberg.

No entanto, há uma estupidez agressiva que sempre tentou fazer crer que “a culpa de tudo isto” é dos críticos de cinema, essas figurinhas hiperminoritárias. Aos mais distraídos, vale a pena lembrar que os gestores da indústria e os profissionais do marketing foram devidamente avisados para estes perigos.

Além disso, numa conversa na Escola de Artes Cinematográficas da Universidade da Califórnia, Spielberg comentou a evolução dos grandes estúdios, alertando para a possibilidade de decomposição de todo um sistema de produção.

Por fim, “O grande perigo é a implosão. Quando três ou quatro, talvez meia dúzia, de megaproduções forem um desastre, o paradigma vai ter de mudar”. E não foi a propósito de Oppenheimer que ele o disse: aconteceu há dez anos, no dia 12 de junho de 2013.

Fonte: Diário de notícias

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